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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

100.000 CRISTÃOS SÃO MORTOS POR ANO POR RAZÕES LIGADAS A FÉ

Quase 100 mil cristãos morrem todos os anos por razões relacionadas à sua fé,denunciou o observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, informou nesta terça-feira (28) a Rádio Vaticano. 
"Investigações confiáveis" levaram à "conclusão chocante" de que "mais de 100 mil pessoas são mortas por ano, por motivos que têm alguma relação com sua fé", denunciou o monsenhor Silvano Maria Tomasi, durante a 23ª sessão do diálogo interativo entre o Conselho dos Direitos Humanos e o alto comissário.

Monsenhor Tomasi também denunciou que cristãos são obrigados a renunciar a sua fé e a suportar a destruição de seus locais de culto, além dos sequestros de seus líderes religiosos, como ocorreu na Síria, onde dois padres ortodoxos foram levados por homens armados perto de Aleppo.

O Oriente Médio, a África e a Ásia são as regiões onde ocorrem o maior número de violações contra a liberdade religiosa.

Essas violações são "fruto do sectarismo, da intolerância, do terrorismo e de leis que excluem", indicou.

Tomasi lembrou o peso da Igreja em muitas áreas: na educação, desde a creche até a universidade; na saúde, dos berçários aos hospitais; no social, das casas de repouso e orfanatos até centros de reabilitação; nos serviços prestados nos campos de refugiados e deslocados.

Segundo a Rádio Vaticano, monsenhor Tomasi elogiou o primeiro-ministro de Bangladesh, que introduziu uma lei contra a blasfêmia na legislação de seu país.

Por sua vez, o secretário do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, o arcebispo Mario Toso, declarou recentemente durante uma conferência sobre a discriminação, no quadro da plenária da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) em Tirana, que os episódios de discriminação contra cristãos aumentaram na região entre a Europa e a Ásia central, apesar das conferências organizadas pela OSCE.

"Lamentamos o fato de terem traçado uma linha entre o credo religioso e a prática religiosa, o que faz com que alertemos aos cristãos, cada vez mais numerosos ante os tribunais, que há a liberdade privada de crer e praticar em suas igrejas, mas fica proibido agir publicamente em nome da fé", declarou.

A discriminação dos cristãos "deve ser combatida assim como o antissemitismo e a islamofobia", considerou Toso, segundo declaração citada pelo Vaticano.

Fonte: G1.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A VIRGEM MARIA TEVE OUTROS FILHOS ALÉM DE JESUS?

Para entrar nesse assunto é bom sempre lembrar que Jesus foi o primogênito e o unigênito da família de Nazaré. Quanto aos “supostos irmãos de Jesus” a Bíblia não os mencionam como “filhos de Maria”. Somente o Mestre é chamado “filho de Maria”, com o artigo no original (Marcos 6,3).


Antes de aprofundar este tema, é bom lembrar 05 pontos fundamentais:


Primeiro – se Jesus teve irmãos, porque Maria é chamada “Mãe de Jesus?”  e nunca mãe do “irmãos de Jesus?”


Segundo – A família de Nazaré aparece apenas com 03 pessoas. Jesus, Maria e José.


Terceiro – porque seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da páscoa e Jesus nunca aparece ao lado dos “supostos irmãos?”


Quarto – Porque Jesus entrega sua mãe aos cuidados de João o Evangelista, e não aos“supostos irmãos?”


Quinto – porque esses “supostos irmãos” não aparecem na crucificação de Jesus?


                  A Bíblia deixa bem claro, quando se trata de um filho, e quem são os pais. Para entender melhor citemos alguns textos:


No Antigo Testamento


“Adão conheceu outra vez sua mulher, e esta deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Set, dizendo, Deus deu-me uma posteridade para substituir Abel, que Caim matou”.(Gênese 4, 25)


“Então falou Deus a Noé, sai da arca, com tua mulher, teus filhos e as mulheres de teusfilhos” (Gênese 8, 15-16)  Confira mais em: (Gênese 5,1-32) (Gênese 10, 1-32) (Gênese 11, 10-32) onde se fala de filhos e filhas.





No Novo Testamento


“Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mateus 1, 21).


“Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito: ora cai no fogo, ora cai na água...” (Mateus 17,15).


                  “Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo” (Marcos 9,17).


                  “Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade” (Lucas 7,12).


                 “Porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava para morrer. Jesus dirigiu-se para lá, comprimido pelo povo” (Lucas 8,42).


                  Em centenas e centenas de textos Bíblicos, fica muito claro, onde se fala de filhos e de pais, e os protestantes afirmam por paus e pedras que, Jesus teve irmãos. Para isso se baseiam em (Marcos 6,3) “Por acaso não é ele o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão?”.





Explicação:


A palavra irmão, aqui tem o significado de “primo ou parente próximo, pois a língua hebraica não possui a palavra primo”.


- Quem eram Tiago, José, Judas e Simão?


Explicação: A mãe de Jesus tinha uma parente que se chamava também Maria, casada com Cleófas.


- De fato lemos na Bíblia: “Perto da cruz de Jesus, permanecia de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas.”    (João 19,25)


- Tiago e José eram filhos de Cléofas com a parente de Nossa Senhora, que se chamava Maria.


- logicamente Judas era irmão de Tiago. De fato lemos: “Judas, irmão de Tiago” (Judas 1 e Lucas 6,16) todos eles eram primos de Jesus, ou parentes próximos, como Simão pelo mesmo motivo.


Há muitos exemplos na Bíblia em que os parentes próximos são chamados de irmãos:“Disse Abraão a Lot: Peço-te que não haja rixas, pois somos irmãos.” (Gênesis 13,8) - Abraão não era irmão de Lot, mas tiio.


- “Eleazar morreu e não teve filhos, mas filhas e estas se casaram com os filhos de Cis, seus irmãos.” (1 Crônicas 23,22) - As filhas de Eleazar eram primas dos filhos de Cis.


- Ver também: (Êxodo 2,11) (Mateus 23,8) (Gênesis 9,6) (Mateus 5,21-22) (1 Coríntios 15,6).


Respondendo objeções


                  1ª  Objeção: os “Irmãos de Jesus”. É assim que a Bíblia se refere nominalmente a quatro pessoas: Tiago, José, Judas e Simão (Marcos 6,3). Eles seriam, irmãos carnais de Jesus, concluem os protestantes.


No entanto, nada mais falso, pois três desses “Irmãos de Jesus”, têm seus pais nomeados na Bíblia. Vejamos: o 1º é Tiago. É ele, segundo (Gálatas 1,19), Tiago Apóstolo, o Menor (Marcos 15,40), cujo pai é Alfeu (Mateus 10,3); o 2º, José, é irmão carnal de Tiago, pois ambos são filhos de uma das três Marias que estiveram ao pé da Cruz (Mateus 27,56), e cujo irmão pai é também Alfeu; o 3º é Judas, o Tadeu, que também é irmão de Tiago (Judas 1,1). Seu pai é também Alfeu. São Lucas o chama“Judas de Tiago” ou seu irmão (Lucas 6,16).


O último da lista é Simão, cujos pais não têm os nomes expresso na Bíblia. Mas o historiador Hegezipo (sec. II), informa que ele é filho de Cléofas, esposo de “Maria, irmã da Mãe de Jesus” (João 19,25). Ele é, pois, primo de Jesus. E se Cléofas e Alfeu são nomes em hebraico e aramaico da mesma pessoa, como pensam muitos, os quatro chamados “irmãos de Jesus” são entre si, irmãos carnais. Em qualquer hipótese eles são primos ou parentes de Jesus.


De fato, é muito comum na Bíblia, parentes próximos serem chamados de irmãos. É só conferir (Gênesis 13,8) comparado com (Gênesis 12,5 e 11,28-31) (Gênesis 29,13 e 15) (Levítico 10,4) (1 Crônicas 23,22) etc.


                  2ª Objeção: ela é tirada do título de “primogênito” atribuído a Jesus em Lucas 2,7. Daí concluem os protestantes que Maria teve outros filhos além de Jesus.


Isso revela grande ignorância, pois “primogênito” é termo jurídico da Bíblia que tem significado bem determinado: é o primeiro filho, quer venha outro, quer não. Não se esperava por outro filho para que o 1º fosse tido e tratado como primogênito a vida toda.


Confirma isto o túmulo, recém-descoberto, de uma judia do 1º século, com a inscrição:“Aqui jaz Arsinoé, morta ao dar à luz o seu primogênito”.


3ª Objeção: é tirada de (Mateus 1,25), onde se lê: “E José não a conheceu até que ela deu à luz. . .” os protestantes concluem que a conheceu depois.


Mais uma vez outra falsa conclusão. Parece desconhecerem que a expressão “até que” é, na Bíblia, um hebrismo que significa “Sem que”, invertendo-se os termos da frase. Significa, então, que Maria “deu á luz sem que José A tivesse conhecido”, e nada mais.


São incontáveis os exemplos disso na Bíblia. Eis apenas um: “O coração do justo está firme e não temerá “até que” veja confundidos os seus inimigos” (Salmos 111,8). Ora, se não temeu antes, não temerá depois. O sentido é: “os inimigos serão confundidos sem que o coração do justo tema”. Assim Mateus quis apenas afirmar que “Maria concebeu sem participação de José”. Conferir na Bíblia outros casos desse modo de falar: (Deuteronômio 7,24) (Sabedoria 10,14) (Salmos 56,2 71,7; 93,12-13; 109,1) (Isaias 22,14) (Mateus 5,18 22,44) (Hebreus 1,13; 10,12-13; etc.)


4ª e última objeção: é tirada de (Mt 1,18) onde se lê que Maria concebeu do Espírito Santo “antes que coabitassem”. Os protestantes concluem erradamente que conheceu depois.


Isso porque eles não se importam com o contexto literário e histórico da Bíblia. E tomam, no caso, “coabitar” no sentido de relação carnal, quando, pelo contexto, e pelo modo como os judeus se casavam, só cabe o sentido de “morar juntos”.


De fato, o casamento dos judeus era feito em duas etapas: a 1ª se realizava na casa dos pais da moça em cerimônia simples. Marcavam-se então as núpcias festivas - era a segunda etapa - na qual a esposa era levada para a casa do esposo. Era esta a coabitação (morar juntos), de que fala o evangelista no citado texto. Foi entre essas duas cerimônias que se deu o mistério da Encarnação.


Conclusão


                  Segundo a Bíblia, a Tradição e o Magistério da Igreja, Maria teve um único filho, e disso, nós temos certeza.


Autor: Jaime Francisco de Moura

terça-feira, 22 de julho de 2014

O DEMÔNIO EXISTE OU É UM MITO?

Para alguns teólogos modernos, o diabo e seus demônios nunca existiram. Se Jesus se referiu a eles por várias vezes nos Evangelhos é porque estava fazendo uma concessão à mentalidade da época. Em pleno século XX não seria possível que o homem moderno acreditasse nesses seres. Mas, será mesmo? Qual é a fé da Igreja sobre o tema? O Catecismo da Igreja Católica, a partir do número 391, fala especificamente sobre a queda dos anjos:
"Por trás da opção de desobediência de nossos primeiros pais há uma voz sedutora que se opõe a Deus e que, por inveja, os faz cair na morte. A Escritura e a Tradição da Igreja veem nesse ser um anjo destronado, chamado Satanás ou Diabo. [...] A Escritura fala de um pecado desses anjos. Essa queda consiste na opção livre desses espíritos criados, que rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e seu Reino. [...] É o caráter irrevogável de sua opção, e não uma deficiência da infinita misericórdia divina, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. Não existe arrependimento para eles depois da queda, como não existe para os homens após a morte. [...] A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama "o homicida desde o princípio"... [...] A mais grave dessas obras devido às suas consequências, foi a sedução mentirosa que induziu o homem a desobedecer a Deus."
O IV Concílio de Latrão, realizado em 1215, ao promulgar a definição contra os cátaros e albigenses, afirmou que:
"Cremos firmemente e confessamos sinceramente que um só é o verdadeiro Deus eterno e incomensurável, imutável, incompreensível, onipotente e inefável, Pai e Filho e Espírito Santo: três pessoas, mas uma só essência, substância ou natureza absolutamente simples. O Pai não provém de ninguém, o Filho só do Pai, o Espírito Santo de modo igual de um e de outro, sempre sem início e sem fim. O Pai gera, o Filho nasce, o Espírito santo procede. São consubstanciais, co-iguais, co-onipotentes e co-eternos: único princípio do universo, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, espirituais e materiais, que com sua força onipotente desde o princípio do tempo criou do nada uma e outra criação: a espiritual e a material, isto é, a angelical e a mundana; e, depois, a humana, de algum modo comum a ambas, constituída de alma e de corpo. Pois o diabo e os outros demônios foram criados por Deus naturalmente bons, mas por si mesmos se transformaram em maus. Já o homem pecou por sugestão do diabo." (DH 800)
Além disso, o Novo Testamento menciona o diabo e seus demônios cerca 511 vezes e nunca por razões especulativas. Jesus, em nenhum momento de sua vida, principalmente em matéria religiosa, adaptou-se à realidade da época. Por outro lado, existe uma vertente cada vez mais numerosa de pessoas que não só creem na existência do Diabo, como estão a cultuá-lo. O satanismo, infelizmente, é uma realidade nas sociedades modernas.
Para o católico, crer na existência do Diabo e dos seus demônios faz parte dos dogmas essenciais da fé. Sem eles, não seria possível compreender plenamente a natureza da libertação realizada por Cristo. Os Santos Padres falavam sobre o entrelaçamento dos dogmas, ou seja, crer no dogma da redenção implica em saber que a libertação foi da escravidão do demônio, e assim por diante. É o grande mistério da iniquidade, definido pelo Catecismo da Igreja Católico no relato da 'Queda':
"Deus é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. Todavia, ninguém escapa à experiência do sofrimento, dos males existentes na natureza - que aparecem ligados às limitações próprias das criaturas - e, sobretudo, à questão do mal moral. De onde vem o mal? 'Eu perguntava de onde vem o mal e não encontrava saída', diz Santo Agostinho, e sua própria busca sofrida não encontrará saída, a não ser em sua conversão ao Deus vivo. Pois 'o mistério da iniquidade' só se explica à luz do 'Mistério da piedade'. A revelação do amor divino em Cristo manifestou ao mesmo tempo a extensão do mal e a superabundância da graça. Precisamos, pois, abordar a questão da origem do mal fixando o olhar de nossa fé naquele que, e só Ele, é o Vencedor do mal." (CIC 385)
Nestes tempos em que a humanidade se julga autossuficiente, capaz de derrotar sozinha o Mal - como os pelagianos -, é bom recordar a absoluta necessidade que o homem tem de Deus, da salvação e da liberdade que só podem vir Dele. A fé da Igreja não deve suscitar medo; pelo contrário, deve iluminar a vida. Aquele que crê na existência de Satanás, deve crer e confiar também na Redenção realizada por Cristo.

OS CATÓLICOS CLANDESTINOS DA CHINA

Enquanto os púlpitos das universidades brasileiras estão impregnados pelo discurso esquerdista, a ponto de se abrirem Centros para Difusão do Comunismo, como acontece, por exemplo, na Universidade Federal de Ouro Preto, do outro lado do Atlântico, mais especificamente na China, católicos são obrigados a refazer o caminho dos primeiros cristãos perseguidos. É a dura realidade da Igreja Católica clandestina, imposta pela revolução cultural do tirano Mao Tsé-Tung, no início da década de 50, com a criação da República Popular da China. Segundo cálculos do premiado professor de Ciência Política da Universidade do Havaí, Rudolph J. Rummel, cerca de 76 milhões de pessoas foram mortas pelo regime entre os anos de 1949 e 1987.
O advento do comunismo chinês provocou uma avalanche de perseguições à religião. Templos foram profanados, igrejas e conventos fechados, fieis foram mortos. Para evitar o nascimento de novas vocações e a autoridade do Papa, o governo criou em 1957 a Associação Patriótica Católica. Desde então, as relações da Santa Sé com o regime tirânico vêm se arrastando de forma conturbada, sobretudo por causa das sagrações episcopais ilícitas promovidas pela Associação. No ano passado, após romper com o Estado e anunciar que não mais serviria ao regime comunista, o recém ordenado bispo, Dom Thaddeus Ma Daqin, desapareceu. Os católicos acusam o governo de tê-lo aprisionado.
Com efeito, os seminaristas que desejam servir à Igreja precisam enfrentar uma verdadeira jornada, às vezes até indo para outros países, a fim de receber uma adequada formação doutrinal. É o caso, por exemplo, do jovem diácono Tomás Zhang, que sonha em se ordenar sacerdote para a Igreja de seu país. Há seis anos em Pamplona, Espanha, Zhang foi ordenado diácono pelo arcebispo Francisco Pérez. No próximo sete de setembro, será ordenado sacerdote em Navarra. Conforme relata, a vida de um padre chinês não é muito diferente da de outros países, a não ser no que se refere aos cuidados com a segurança. Têm que trabalhar de forma secreta e muitos dormem de dia e trabalham à noite, "quando dormem os policiais, para evitar ir para prisão".
A Igreja Católica chinesa, conta Zhang, é uma autêntica igreja doméstica, uma vez que a maioria das celebrações eucarísticas acontecem nas casas de algumas famílias. Ciente dessa situação conflitante, o Papa Francisco exortou os católicos chineses a serem fiéis ao Sucessor de Pedro, e a "viver(em) cada dia no serviço ao seu país e aos seus concidadãos de modo coerente com a fé que professam". O pedido foi feito em uma das tradicionais audiências gerais de quarta-feira.
Considerando a distância e as circunstâncias diversas nas quais os católicos brasileiros se encontram, a realidade chinesa parece até surreal. Mas não é. O processo de secularização dos países ocidentais caminha a passos largos e o destino final não é muito diferente do dos irmãos orientais. Quando se tem a fé apenas como um pressuposto e se coloca em seu lugar o ativismo social, não demora muito para que esse pressuposto desapareça e o ativismo se torne demagogia. E o Brasil, outrora maior país católico do mundo, é a prova mais contundente disso.
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

A NATUREZA SEM A GRAÇA

O triste projeto de um povo que, fingindo ignorar que a natureza humana é decaída pelo pecado original, vive como se Deus não existisse.
Em sua obra para destruir o “organismo misterioso de Cristo”, o inimigo tem querido, nas palavras do Papa Pio XII, “a natureza sem a graça” [1].
De fato, antes mesmo da criação do homem, já se havia manifestado a soberba de Satanás, que queria ser igual a Deus por suas próprias forças. É claro que o demônio não procurava ser como Deus “por equiparação”, isto é, transmutando-se na natureza divina. Ele “sabia, por conhecimento natural, ser isso impossível”, explica Santo Tomás. Porém, ele queria ter “como fim último a semelhança com Deus, que é dom da graça, (...) pela virtude da sua natureza, e não pelo auxílio divino, segundo a disposição de Deus” [2]. Citando Santo Anselmo, resume o Aquinate que o demônio desejou aquilo que obteria se perseverasse.
É o próprio Tomás quem explica em que sentido o desejo de assemelhar-se a Deus é pecaminoso. Porque se é verdade que o diabo caiu por querer ser como Ele, também é verdade que o próprio Senhor ordenou: “Santificai-vos e sede santos, porque eu sou santo” [3]; e repetiu, pela boca do Verbo encarnado: “Sede, portanto, perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito” [4]. Ora,
“quem neste sentido deseja ser semelhante a Deus não peca, pois, deseja alcançar a semelhança com Deus na ordem devida, a saber, enquanto tem essa semelhança recebida de Deus. Se, porém, desejasse ser semelhante a Deus por justiça, como por virtude própria e não pela virtude de Deus, pecaria.” [5]
Foi deste último modo – “por justiça, como por virtude própria” – que o demônio se quis assemelhar a Deus. E para esse mesmo caminho de morte ele seduziu a humanidade: “No dia em que comerdes da árvore, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus” [6]. Eva, atraída pela aparência do fruto e pelas palavras do tentador, “colheu o fruto”, arrebatando-o com violência. A humanidade, feita à imagem e semelhança de Deus, acabava por imitar o diabo, tentando dominar, à força, aquilo que se deveria receber como um dom gratuito do Criador.
Aparentemente, até esta parte da história, o projeto do inimigo de edificar “a natureza sem a graça” tinha alcançado grande sucesso.
Mas, “se pelo pecado de um só toda a multidão humana foi ferida de morte, muito mais copiosamente se derramou, sobre a mesma multidão, a graça de Deus, concedida na graça de um só homem, Jesus Cristo” [7]. O Verbo, existindo em condição divina, “não se apegou ao ser igual a Deus”. Nesse trecho da Carta aos Filipenses, São Paulo usa a palavra grega “ἁρπαγμὸν” (lê-se: harpagmón), apresentando um contraste com a atitude dos primeiros pais: enquanto Eva se quis apropriar indevidamente da divindade, o próprio Deus se rebaixou à nossa humanidade, “assumindo a forma de escravo”, humilhando-se e “fazendo-se obediente até à morte – e morte de cruz!” [8]. Tudo isso para conceder-nos a Sua filiação divina: “Por natureza só há um Filho de Deus, que, por sua bondade, se fez por nós filho do homem, a fim de que, filhos do homem por natureza, por sua mediação nos tornássemos filhos de Deus por graça” [9].
Se, por um lado, é grande a misericórdia de Deus, por outro, é uma constante na história a tentação de abandoná-Lo e “roubar” o tesouro sobrenatural. A heresia pelagiana, ainda nos primeiros séculos da Igreja, colocou inúmeras pessoas no caminho de uma terrível torre de Babel. Corria-se em busca do Céu, mas se buscava alcançá-lo por esforços puramente humanos.
Hoje, tragicamente, o Céu não é a meta de quase ninguém. Um pouco de sucesso profissional, mais um punhado de prazeres passageiros e uma casa confortável na praia, são o medíocre projeto do homem deste século, que desconhece o significado de “graça”, “pecado” ou das mais elementares verdades da fé. Realidade triste que, infelizmente, é passada também aos mais jovens. Está praticamente consolidada entre nós uma educação naturalista, permissiva e liberal, pela qual o ser humano não passaria de um “bom selvagem” e quaisquer atos humanos poderiam ser aceitáveis, desde que acomodados ao terreno já vilipendiado da consciência.
“A natureza sem a graça” é o triste projeto de Satanás – e de um povo que, fingindo ignorar que a natureza humana é decaída pelo pecado original, vive como se Deus não existisse.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
  1. Pio XII, Discorso agli uomini di Azione Cattolica, 12 ottobre 1952
  2. Suma Teológica, I, q. 63, a. 3
  3. Lv 11, 44
  4. Mt 5, 48
  5. Suma Teológica, I, q. 63, a. 3
  6. Gn 3, 5
  7. Rm 5, 15
  8. Fl 2, 6-8
  9. Santo Agostinho, De Civitate Dei, XXI, 15

CHINA: EMOÇÃO DOS CRISTÃOS AO RECEBER A BÍBLIA PELA 1ª VEZ


Vídeo mostra o momento em que essa comunidade cristã recebe uma doação de Bíblias. Vemos de um lado o terror imposto pelo regime comunista. E do outro lado o amor do nosso Deus por cada um de nós. Reflitamos irmãos.

ARGÉLIA: JOVEM É EXPULSO DO EXERCITO POR SUA FÉ EM CRISTO

Na Argélia, os cristãos são regularmente vítimas de discriminação nos locais de trabalho. Esta é a realidade de Sadek, um jovem de 22 anos, que mora na cidade de Tizi N’Berber, ao norte da província de Béjaïa Sadek. Ele entrou para o Exército em 2011, mas viu sua carreira desmoronar depois de um colega de trabalho ter encontrado uma Bíblia em seu armário.
“Eu estava muito feliz em me juntar ao Exército”, disse Sadek. “Esse era o meu sonho de infância, e no início, não tive problemas com ninguém, eu nem havia, sequer, mencionado a minha fé”. No entanto, tudo mudou quando seu companheiro de quarto encontrou uma Bíblia e outros livros cristãos entre os pertences de Sadek. “Ele queixou-se aos nossos superiores”, contou o jovem.
Sadek relembra esse fato e mostra-se visivelmente afetado. Ele conta que imediatamente após ser delatado, foi convocado por seu coronel, que o expulsou de sua missão sem mais explicações. Além disso, Sadek foi indiciado a comparecer em um tribunal militar de Constantino. O seu crime? Possuir livros cristãos.
Sadek fica chocado com o desenrolar dos acontecimentos. “Eu não entendi o que aconteceu comigo. Eu nunca disse a ninguém sobre a minha fé cristã dentro do quartel e os livros eram para o meu uso pessoal”, argumentou.
O jovem teve de ir ao tribunal para ser julgado, não porque cometeu um crime ou desobedeceu a seus superiores, mas porque tinha livros cristãos em seu armário. “Para minha surpresa eu fui condenado a dez anos de prisão e ao pagamento de uma multa tão grande quanto à soma de todo o dinheiro que o Exército havia gastado comigo: todos os custos da minha acomodação, comida e treinamento, enquanto estava no Exército”.
Intervenção ‘milagrosa’
Sadek seria preso pela posse de livros cristãos, se não fosse por uma intervenção muito especial. “Quando recebi o documento do tribunal e li que seria condenado a dez anos de prisão, fiquei muito triste”, disse ele. “Mas, felizmente, Deus usou um funcionário, que estava no tribunal militar, para me livrar. Este homem, um coronel, e também um nativo da região de Béjaïa, esteve envolvido na manipulação do meu caso. Ele convenceu o tribunal a encerrar a ação judicial contra mim”, conta Sadek, aliviado. Após a intervenção do oficial, o jovem foi libertado.
Embora ele tenha conseguido escapar da prisão, Sadek perdeu o emprego no Exército.
Esta história é apenas uma, de várias outras que expressam a realidade da discriminação no local de trabalho enfrentada por muitos cristãos na Argélia, especialmente aqueles que trabalham no setor público.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O PURGATÓRIO SEGUNDO A BÍBLIA


"Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (...) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém mais se há de exigir." ( Lc 12, 45-48).
Nesta parábola o administrador é o ministro da Igreja ( quatro versículos acima Pedro pergunta ao mestre: "Senhor é para nós que estás contando esta parábola?" Ao que Jesus responde: "Qual é então Pedro, o administrador fiel que o Senhor constituirá sobre todo o seu pessoal?"). Pois bem, o ministro de Deus que for infiel, receberá a visita do seu senhor "no dia em que não o esperar" (dia de sua morte). E o Senhor o "mandará ao destino dos infiéis" ( inferno ). Porém a parábola acena que haverá outros tipos de administradores, e outros tipos de destino. Aquele que conhece a vontade de Deus mas não se preparou como convinha para a sua volta, será açoitado "com numerosos golpes". Aquele que ignora a vontade de seu Senhor, e fizer coisas repreensíveis será açoitado com "poucos golpes". Portanto após a morte dos administradores da casa de Deus, uns serão condenados ao inferno, outros serão punidos, uns mais, outros menos, conforme o merecimento de cada um, mas não compartilharão o "destino dos infiéis". Após a morte, portanto, haverá de haver algum lugar ou "estado" onde os administradores pouco fiéis haverão de ser purificados.

"Ora , quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo."( Lc, 12, 58-59).

Nesta parábola o Senhor Jesus ensina que, enquanto estivermos nesta vida devemos ter sempre uma atitude de reconciliação com os nossos irmãos de caminhada. Devemos sempre entrar "em acordo" com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juíz ( Deus ), que por sua vez nos entregará ao executor ( seu anjo ) e este nos colocará na prisão ( purgatório), dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, "até o último centavo". Mas um dia haveremos de sair. A condenação neste caso não é eterna. Ver também Mt 5, 21-26 e 18, 23-35.

"Eu porém vos digo: todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão terá de responder no tribunal. Aquele que chamar a seu irmão: ‘cretino’, estará sujeito ao julgamento do Sinédrio. Aquele que lhe chamar: ‘louco’, terá de responder na geena de fogo (...) Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo" ( Mt 5,22.25-26).
Jesus nos ensina que a ira contra nossos irmãos e as ofensas que a eles fizermos, merecem toda a reprovação por parte do Pai celeste. Ao chamarmos nosso irmão de "louco" teremos de responder na geena de fogo. O fogo sempre foi, em todos os tempos, e também na Bíblia um símbolo de purificação. Evidente que ninguém é condenado ao inferno para todo o sempre, somente porque chamou o seu próximo de "louco" ( senão todos estaríamos condenados ). A chave deste ensinamento, se encontra na conclusão deste discurso de Jesus: serás lançado na prisão ( nesta "geena de fogo" ), e dali não se sai "enquanto não pagar o último centavo".

"Quanto ao fundamento, ninguém, pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia ( do julgamento ) demonstra-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo"( I Cor 3, 10-15).
Paulo fala dos pregadores do Evangelho, que haveriam de edificar a Igreja sobre os alicerces lançados por ele durante suas viagens missionárias. Uns edificariam com muito zelo ( com ouro, prata e pedras preciosas), outros seriam porém, pouco zelosos ( edificando com madeira ), outros seriam negligentes ( edificando a Igreja com feno ou palha ). De qualquer forma o "dia do Julgamento" demonstraria o que "vale o trabalho de cada um". Se a construção resistir, isto é se o ministro edificou com amor : "o construtor receberá a recompensa". Se o ministro foi pouco zeloso pela Igreja : "arcará com os danos". Porém ele será salvo apesar de tudo. Como? Sendo purificado, ou seja, "passando de alguma maneira através do fogo", isto é, após o dia do julgamento particular, alguns ministros de Deus deverão ser purificados devido ao pouco zelo com as coisas da Igreja de Deus.

"Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados(...) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (...) Por isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." ( I Pe 3, 18-19 ; 4, 6 )
Esta "prisão" ou "limbo dos antepassados", onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, é figura do purgatório. Com efeito, o texto menciona que Cristo foi pregar "aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes". Temos portanto um lugar onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, portanto não é o inferno. Não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, portanto ainda não é o céu. Mas é um lugar onde os espíritos aguardavam a salvação. Salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo. Por isto declara o apóstolo foi o "Evangelho pregado também aos mortos(...) para que vivam segundo Deus quanto ao espírito".

"De outra maneira, que intentam aqueles que se batizam em favor dos mortos ? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se batizam por eles? " ( I Cor 15,29 )
Paulo cita aqui, uma prática cuja índole na verdade desconhecemos. Segundo alguns estudiosos, os primeiros cristãos preocupados com a sorte eterna de seus pais ou avós que não haviam conhecido o Evangelho, e consequentemente não puderam ser batizados, praticavam algum rito ou oração para que seus parentes ganhassem de alguma forma a salvação, "batizando-se" em lugar deles. O apóstolo Paulo não condena este "batismo" pelos falecidos , antes, lança mão justamente dele como argumento precioso da fé dos cristãos na ressurreição geral dos mortos. De fato, esta prática demonstra a preocupação dos primeiros cristãos com relação à salvação de seus pais, antepassados e amigos, traduzida em algum rito ou oração pelos mortos, por nós hoje desconhecida. A oração pelos mortos aliás, era uma prática constante entre os primeiros cristãos, como atestam ainda hoje inscrições em numerosos túmulos e arcas funerárias cristãs daqueles primeiros tempos.

"Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas" ( II Mac 12, 43-46)
O general Judas Macabeu ( 160 AC ), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos. E que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos, estavam em algum local ou "estado" de purificação, pois se estivessem nos céus, as oração dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos.
O cristão, que não ora pelos seus mortos, comete pecado contra a caridade que devemos ter para com os nossos irmãos falecidos, conforme o ensino bíblico: "Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses este benefício a um morto" ( Eclo 7,37 )

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

POR QUE UM CRISTÃO NÃO PODE SER COMUNISTA?


O Comunismo e o Cristianismo são fundamentalmente incompatíveis. Um cristão autêntico nunca poderá ser um comunista autêntico, porque as duas filosofias são antitéticas e não há dialética de lógico que possa reconciliá-las. Porquê?

Primeiro, porque o Comunismo se baseia numa visão materialista e humanista da história e da vida. Segundo a teoria comunista, não é a inteligência nem o espírito que decidem do universo, mas apenas a matéria; esta filosofia é declaradamente secularista e ateísta. Para ela, Deus é um simples mito criado pela imaginação; a religião, um produto do medo e da ignorância; e a Igreja, uma invenção dos governantes para controlarem as massas. O Comunismo, tal como o Humanismo, mantém, além disto, a grande ilusão de que o homem pode salvar-se sozinho, sem a ajuda de qualquer poder divino, e iniciar uma nova sociedade.

Luto sozinho, e vença ou morra,
não preciso de ninguém que me liberte;
Não quero nenhum Cristo que me diga
Poder um dia morrer por mim.

Ateísmo frio, mascarado de materialismo, o Comunismo não admite Deus nem Cristo.


No centro da fé cristã está a afirmação de que existe um Deus no Universo, base e essência de toda a realidade. Ser de infinito amor e de poder ilimitado, Deus é o criador, o defensor e o conservador de todos os valores. O Cristianismo, ao contrário do materialismo ateu do Comunismo, afirma um idealismo teísta. A realidade não pode explicar-se por matéria em movimento ou tensão de forças econômicas opostas. O Cristianismo afirma que existe um Coração no coração da realidade, um Pai extremoso que trabalha através da História para a salvação dos seus filhos. O homem não pode salvar-se a si próprio porque não é ele a medida de todas as coisas e a humanidade não é Deus. Preso pelas cadeias do seu próprio pecado e das suas próprias limitações, o homem necessita dum Salvador.

Em segundo lugar, o Comunismo assenta num relativismo ético e não aceita absolutos morais estabelecidos. O bem ou o mal são relativos aos métodos mais eficientes para o desenvolvimento da luta de classes. O Comunismo emprega a terrível filosofia de que os fins justificam os meios. Apregoa pateticamente a teoria duma sociedade sem classes, mas, infelizmente, os métodos que emprega para realizar esse nobre intento são quase sempre ignóbeis. A mentira, a violência, o assassinato e a tortura são considerados meios justificáveis para realizar esse objetivo milenário. Será isto uma acusação falsa? Escutai as palavras de Lenine, o verdadeiro estrategista da teoria comunista: “Devemos estar prontos à empregar o ardil, a fraude, a ilegalidade e a verdade encoberta ou incompleta”. A História moderna tem passado por muitas noites de agonia e por muitos dias de terror por causa desta opinião ter sido tomada a sério por muitos dos seus discípulos.

A contrastar com o relativismo ético do Comunismo, o Cristianismo estabelece um sistema de valores morais absolutos e afirma que Deus colocou dentro da própria estrutura deste universo certos princípios morais, fixos e imutáveis. O imperativo do amor é a norma de todos os atos do homem e o autêntico cristianismo recusa-se também a seguir a filosofia dos fins que justificam os meios. Os meios, quando destrutivos, nunca podem construir seja o que for, porque os meios são a representação do ideal na realização e na confirmação do objetivo pretendido. Os meios imorais não podem conseguir os fins morais, porque os fins já pré-existem nos meios.

Em terceiro lugar, o Comunismo atribui o máximo valor ao Estado; o homem é feito para o Estado, em vez do Estado para o homem. Poderão objetar que o Estado, na teoria comunista é uma “realidade intermediária” que “desaparece” quando emergir a sociedade sem classes. Em teoria, isto é verdade; mas também é verdade que, enquanto o Estado se mantém, é ele a finalidade. O homem é o meio para esse fim e não possui quaisquer direitos inalienáveis; os únicos que possui derivam ou são-lhe conferidos pelo Estado. A nascente das liberdades secou sob um tal regime. Restringe-se no homem a liberdade da imprensa e da associação, a liberdade de voto e a liberdade de ouvir ou de ler. Arte, religião, educação, música ou ciência, tudo depende do Estado, e o homem é apenas o servo dedicado do Estado onipotente.


Tudo isto não só é contrário à doutrina de Deus, como também à valorização cristã do homem. O Cristianismo insiste que o homem é um fim porque é filho de Deus, criado à sua imagem e semelhança. O homem é mais do que um animal reprodutor dirigido pelas forças econômicas; é um ser com alma, coroado de glória e de honra, dotado de liberdade. A maior deficiência do Comunismo está em tirar ao homem exatamente a qualidade que faz dele um homem. Diz Paul Tillich que o homem é homem porque é livre; e essa liberdade traduz-se na capacidade que tem de deliberar, decidir e reagir. No Comunismo, a alma do indivíduo está amarrada pelas cadeias do conformismo, e o espírito pelas algemas da obediência ao partido. Despojam-no da consciência e da razão. O mal do Comunismo está em não ter uma teologia nem uma Cristologia; revela assim uma antropologia muito confusa, tanto acerca de Deus, como acerca do homem. Apesar dos discursos brilhantes sobre o bem-estar das massas, os métodos do Comunismo e a sua filosofia despem o homem da sua dignidade e do seu valor, reduzindo-o à despersonalização duma simples roda na engrenagem do Estado.

Tudo isto, claro, sai fora da harmonia do pensamento cristão. Não procuremos enganar-nos: estes sistemas de idéias são por demais contraditórios para poderem reconciliar-se. São maneiras totalmente opostas de encarar o mundo e a sua evolução. Temos obrigação, como Cristãos, de rezar sempre pelos comunistas, mas nunca poderemos, como verdadeiros cristãos, tolerar a filosofia do Comunismo.

Há, contudo, no espírito e na ameaça do Comunismo alguma coisa que nos diz respeito. O falecido Arcebispo de Cantuária, William Temple, considerava o Comunismo como uma heresia cristã. Queria significar com isso que algumas das verdades de que o Comunismo se apossou são parte integrante da doutrina cristã, embora misturadas com teorias e práticas que nenhum cristão pode aceitar.

A teoria do Comunismo, mas não decerto, a prática incita-nos a preocuparmo-nos mais com a justiça social. Com todas as suas falsas assunções e com todos os seus métodos cruéis, o Comunismo surgiu como um produto contra as injustiças e indignidades infligi das sobre os desprivilegiados. O Manifesto Comunista foi escrito por homens apaixonados pela justiça social. Karl Marx, filho de judeus que, por sua vez, descendiam duma família de rabinos, e eram, portanto versados, como é natural, nas Escrituras Hebraicas nunca conseguiu esquecer as palavras de Amós:

“Mas que jorre a equidade como uma fonte e a justiça como uma torrente que não seca” (Amós 5:24).

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Crimes de ódio contra Cristãos na Europa Ocidental

O Observatório de Intolerância e Discriminação contra Cristãos recebeu o Relatório de Crimes de Ódio de 2012 emitido pelo OSCE/ODIHR em 15 de novembro de 2013. “Este relatório cria consciência – e consciência é o primeiro passo rumo à solução”, disse a diretora do Observatório, Dra. Gudrun Kugler.

O relatório anual foca nos crimes de ódio motivados por racismo e na xenofobia, antissemitas e antimuçulmanos, bem como preconceito contra Roma e Sinti, Cristianismo e outras religiões e setores. Na área dos crimes de ódio contra Cristãos, apenas quinze Estados participantes do OSCE divulgaram seus dados. Destes países, apenas seis submeteram seus dados ao relatório.
As passagens principais deste relatório sobre o ano de 2012 envolvem:
- Os oficiais de justiça da Alemanha registraram 414 crimes com motivação religiosa, 18 dos quais envolveram violência.
- Na Hungria, a Santa Sé registrou dez casos de danos à propriedades de igrejas; 89 casos de profanação de igrejas, incluindo sete roubos à propriedades de igrejas.
- A polícia Sueca registrou 258 crimes de ódio com motivação religiosa, dos quais 200 foram contra Cristãos.
- No Reino Unido, oficias da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte registraram 1543 crimes de ódio com motivação religiosa. Na Escócia, 687 casos foram processados.
A Dra. Gudrun Kugler diz que “é muito importante que todos os Estados Europeus comecem a divulgar sua coleta de dados sobre crimes, inclusive relativos ao Cristianismo, considerando que os crimes de ódio contra os Cristãos na Europa Ocidental estão aumentando”. Ela também convoca os Estados e ONGs a submeter seus dados ao ODIHR e trabalhar de perto com instituições internacionais de direitos humanos para encontrar soluções.
Kugler continua: “Nós precisamos começar a discutir este problema ao invés de negá-lo, se queremos encontrar soluções. De outro modo, crimes de ódio contra Cristãos irão aumentar ainda mais, e não haverá soluções rápidas”.
O Observatório de Intolerância e Discriminação contra Cristãos, que contribuiu com seus dados para o Relatório de Crimes de Ódio de 2012, aprecia o trabalho de construção de relacionamentos com o ODIHR. Os dados do Observatório de Intolerância e Discriminação contra Cristãos abrangem tanto crimes de ódio quanto restrições legais e intolerância social contra Cristãos e está disponível neste link.
Definição: Um crime de ódio é aquele motivado pela intolerância em relação a certo grupo dentro da sociedade. O ato deve ser um crime pelo código penal da jurisdição na qual foi cometido e tem que ter sido cometido com uma motivação preconceituosa. Uma grande preocupação é que crimes de ódio têm um profundo impacto nas comunidades das vítimas.
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